Sepse é uma emergência médica, assim como trauma, acidente vascular encefálico e síndrome coronariana. A sepse é um dos motivos mais comuns de admissão em UTI – 30% das admissões, gerando alto custo, longa permanência hospitalar e alta mortalidade. Definições importantes SIRS: resposta inflamatória sistêmica. SEPSE: síndrome caracterizada pela presença de disfunção orgânica ameaçadora à vida secundária à resposta desregulada do organismo à infecção. CHOQUE SÉPTICO: sepse com acentuadas anormalidades circulatórias, celulares e metabólicas e associadas com maior risco de morte do que a sepse isoladamente. Diagnóstico de Sepse Presença de foco infeccioso e 1 ou mais fatores: PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg ou queda de PA > 40 mmHg) ou uso de droga vasoativa; Creatinina > 2,0 mg/dl ou oligoanúria (diurese ≤ 0,5ml/Kg/h em 2 horas); Infiltrado pulmonar com PaO2 / FiO2 < 300 em paciente sem pneumopatia prévia ou necessidade de O2 para manter SpO2 > 90%; Plaquetas < 100.000 / mm3 ou redução de 50% no número de plaquetas em relação ao maior valor registrado nos últimos 3 dias; Alteração aguda do estado mental; Bilirrubina > 2 mg/dl ou maior que duas vezes o valor de referência; Acidose metabólica inexplicável: déficit de bases ≤ 5,0mEq/L e lactato > 18 mg/dl; Coagulopatia: RNI > 1,5 ou TTPA > 60 segundos. Se um (a) paciente tiver suspeita clínica de sepse, identificar a presença de sepse e/ou choque séptico: 1) À beira leito: - pressão arterial sistólica abaixo de 100 mmHg- frequência respiratoria ≥ 22 ipm e- rebaixamento de nível de consciência (qSOFA) 2) Coleta de material para o laboratório (KIT SEPSE: gasometria e lactato arteriais, hemograma, ureia, creatinina, sódio e potássio, hemoculturas, glicemia, TTPa/TP, bilirrubinas) 3) RX de tórax, EAS, urocultura Atenção! Caso 2 critérios a beira leito presentes: Abrir protocolo de sepse Hidratar (SF0,9% 30ml/kg) iniciar, trocar ou ampliar Antibioticoterapia ( antes dos resultados de laboratório) obs: Antibioticoterapia de amplo espectro (caso o paciente tenha história de internação recente ou esteja internado, cobrir microrganismos nosocomiais). Bundles “Completar nas primeiras 3 horas”: Dosar lactato arterial; Obter hemoculturas antes da administração de antibióticos; patógenos, idealmente dentro da 1ª hora; Otimizar doses de acordo com princípios aceitos de farmacocinética e farmacodinâmica dos antibióticos e suas propriedades específicas; Controle de foco (drenagem de abscessos, retirada de dispositivos invasivos suspeitos, desbridamento de lesões necróticas). Iniciar reposição de cristaloides 30ml/kg; Administrar antibiótico(s) de amplo espectro para cobrir todos os potenciais (ver o protocolo de cada hospital, conforme serviço de controle de infecção hospitalar, tanto para infecções comunitárias quanto as infecções relacionadas aos serviços de saúde). Completar nas primeiras seis horas: Manejar vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e nesses casos, inserir cateter venoso central; Reavaliar os pacientes hipotensos ou com hiperlactatemia com vistas à volemia e estado perfusional: - repetir e documentar exame físico direcionado (sinais vitais, ausculta cardiopulmonar, enchimento capilar, pulso, débito urinário e alterações da pele) - avaliar dinamicamente a resposta a fluidos (manobra de elevação das pernas, prova de volume) ou inserir cateter central para monitorar a pressão venosa central (PVC) - acima de 8mmHg e a saturação venosa central (SVcO2) com meta de 70% Dosar novamente o lactato arterial se inicialmente elevado. Pacientes com sinais de hipoperfusão e com níveis de hemoglobina abaixo de 7 mg/dL devem receber transfusão sanguínea. Observações gerais: Não está indicado o uso de bicarbonato nos casos de acidose lática empacientes com pH >7,15; Meta glicêmica abaixo de 180mg/dl; Preferência por nutrição enteral; Prevenção farmacológica de tromboembolismo venoso com heparina não fracionada ou de baixo peso molecular; Profilaxia para sangramento gastrointestinal em pacientes com fatores de risco (ventilação mecânica e coagulopatia persistente). Cabeceira do paciente em ventilação mecânica de 30 a 45° Em relação à ventilação mecânica: A intubação orotraqueal imediata em insuficiência respiratória aguda e evidências de hipoperfusão tecidual. Utilização de baixos volumes correntes (6 mL/kg de peso ideal) e a limitação da pressão de platô abaixo de 30 cmH2O. A fração inspirada de oxigênio suficiente para PaO2 entre 70 - 90mmHg. Objetivar uma pressão de distensão (driving pressure, pressão de platô - peep) menor que 15 cmH2O, porém uma PEEP acima de 5 é usualmente recomendada para evitar colapso alveolar; Quando relação PaO2/ FiO2 menor que 150 e FiO2 de 60% ou mais, a utilização de posição de prona é recomendada, para unidades que tenham equipe com treinamento na técnica e o uso de bloqueadores neuromusculares por tempo de até 48 hs também pode ser considerado. Estratégia conservadora de hidratação. Fonte: Napolitano LM. Sepsis 2018: Definitions and Guideline Changes. Surg Infect (Larchmt). 2018;19:117-125.